O blog obteve cópia de dois dos relatórios produzidos pela Kroll. Compõem um dossiê guardado nos arquivos do Opportunity. Foram lidos pessoalmente por Dantas e pela executiva Carla Cico, destituída recentemente do comando da Brasil Telecom.

 

Os documentos foram redigidos em inglês. Um deles tem o seguinte título: “Manipulação da Imprensa no Brasil pela Telecom Itália”. O texto aponta a existência de uma suposta “campanha” da mídia para denegrir a imagem de Dantas, da Brasil Telecom e do Banco Opportunity.

 

No relatório, a Kroll acusa Nelson Tanure, controlador do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, de ser “um dos autores” da campanha. Anota que o empresário, que hoje tenta assumir também o comando da Varig, agiu por encomenda da Telecom Itália, grupo que venceu a queda-de-braço travada com Dantas pelo controle da Brasil Telecom.

 

Segundo a Kroll, valendo-se de seu “grupo de mídia” e de “uma rede de jornalistas e outros contatos”, Tanure promoveu, a partir de 2001, a publicação contínua de reportagens com o objetivo de prejudicar a imagem do Opportunity e do banqueiro Daniel Dantas.

 

Além de Tanure, diz o documento, a estratégia encomendada pela Telecom Itália envolveria “outras pessoas”. O texto menciona os nomes do empresário Paulo Marinho, ligado a Tanure, e de Luis Roberto Demarco, um ex-sócio de Daniel Dantas no Opportunity, com o qual o banqueiro trava uma batalha judicial.

 

Com o “suporte de elementos do establishment brasileiro”, diz o relatório, a “campanha de imprensa” visava produzir um escândalo de corrupção contra Dantas e seu grupo. Seria “o último de uma série de esforços” da Telecom Itália para destituir o banqueiro do controle acionário da Brasil Telecom.

 

Em troca dos supostos ataques deliberados a Dantas e ao Opportunity, o Jornal do Brasil, uma das publicações geridas por Nelson Tanure, teria recebido da TIM, empresa de telefonia celular controlada pela Telecom Itália, vários aportes financeiros na forma de anúncios publicitários. Entre agosto e dezembro de 2002, diz o relatório, a Tim teria despejado no JB R$ 1,2 milhão em anúncios. Em 2003, o jornal teria recebido mais R$ 1,18 milhão. E, entre janeiro e março de 2004, mais R$ 964,4 mil.

 

Citando dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação), a Kroll insinua que os investimentos publicitários da Tim no Jornal do Brasil seriam incompatíveis com a tiragem da publicação. O JB “publica uma média de 100 mil exemplares aos domingos e cerca de 70 mil em dias de semana”, diz o documento. “Vários executivos de publicidade disseram à Kroll que certos pagamentos publicitários feitos pela Tim (...) podem não ser justificáveis pela circulação do jornal”, anota o documento confidencial.