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Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso
 

A jornalista Karol Garcia mandou o seguinte recado:

"Dá uma olhada nesse artigo, amei!!! Que tal colocar no blog do
sindicato...hihihi...Tô sofrendo horrores com os estagiários que estão
nas redações...rs. Bjos e té +...
Karol"

O bode, os precários e os estagiários

Vitor Ribeiro (*)

Uma conhecida piada ensina: "se as coisas vão mal, coloque um bode
fedorento em casa; ao tirar o bode haverá uma falsa impressão de que
algo melhorou". A piada aplicada à grave precarização da profissão de
jornalista no Brasil pode vir a cair como uma luva, mas não tem graça
nenhuma.

O Brasil parece ser imbatível em sua forte candidatura ao Guiness
Book, como o país com maior número de faculdades de Jornalismo. Não é
para menos, afinal o número já beira a casa de 400. Uma
irresponsabilidade promovida na última década, que só beneficiou os
proprietários de faculdades particulares, apesar dos protestos das
entidades de defesa de classe dos jornalistas brasileiros.

No último dia 26 de outubro, o Tribunal Regional Federal da 3º Região
retirou o bode fedorendo colocado na profissão de jornalista. Com a
retirada do bicho, foram cancelados cerca de 13 mil registros de
jornalista precário, em todo o País. Mas o alívio provocado pela saída
do bode pode se transformar apenas em uma falsa impressão de que algo
melhorou.

A exótica decisão judicial que instituiu os jornalistas precários no
Brasil, na prática impediu qualquer combate ao exercício ilegal da
profissão. Os Sindicatos de Jornalistas foram imobilizados pela
decisão da juíza Carla Rister. Afinal, qualquer pessoa poderia
solicitar um registro de jornalista precário e fugir do exercício
ilegal da profissão.

Muitos estudantes de Jornalismo também optaram por obter um registro
> precário, na esperança de ingressar mais cedo no mercado de trabalho.
Dos cerca de 13 mil registros precários, alguns milhares devem estar
em nome de estudantes das quase 400 faculdades espalhadas pelo País.

O que fazer?

Com o fim dos precários, ressurgiu das cinzas o exercício ilegal da
profissão e os Sindicatos foram libertados das algemas que cercearam a
sua atuação. Prometem uma caça implacável aos precários, que se
inteligentes forem, já devem ter corrido das poucas redações que os
acolheram, caso contrário responderão por exercício ilegal da
profissão.

As redações brasileiras não estão tomadas por precários e muito menos
por jornalistas. Mas, sim, por estagiários que reinam absolutos,
exercendo funções de profissionais formados por salários
reduzidíssimos. Alguns veículos chegam ao cúmulo de ter quase toda a
sua redação formada por estagiários. Se até agora os Sindicatos nada
podiam fazer, a história mudou. Com o fim dos precários foi restituído
o exercício ilegal da profissão. Os Sindicatos agora podem agir e
muito.

Até mesmo as Câmaras Municipais do país estão repletas de estagiários
tocando as suas TVs Câmaras, rádios e até assessorias de imprensa,
onde a cada dia se encontram menos jornalistas.

A legislação vigente no Brasil libertou os Sindicatos de suas amarras,
na luta contra o exercício ilegal e a precarização da profissão. Mas
caso o estágio em jornalismo prossiga como nos tempos do jornalista
precário, a profissão continuará a caminhar a passos largos para o
abismo da precarização. Um cenário que dificilmente terá vencedores e
a profissão não passará de um bode gordo e fedorento.

(*) Editor executivo do "O Jornalista"
>



Escrito por Sindjor/mt às 15h25
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