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Outubro Vermelho
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| Categoria e seus apoiadores comemoram o resgate da dignidade e identidade profissional |
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Em todo o país, profissionais, professores e estudantes de Jornalismo comemoraram ontem o resultado do julgamento do recurso da FENAJ e SJSP no TRF-3ª Região, que restabeleceu a exigência do diploma como requisito para o exercício da profissão. Durante todo o dia, manifestações, vigílias e acompanhamento passo a passo do julgamento pelo site da FENAJ deram o tom da nacionalização da Campanha em Defesa da Regulamentação e Valorização da Profissão.
Após o julgamento, a comemoração foi grande na Avenida Paulista, no centro de São Paulo. Após um abraço simbólico no prédio do TRF, os manifestantes fizeram uma passeata de quatro quilômetros, até a sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, onde ocorreu a Plenária Nacional da campanha. A FENAJ e os Sindicatos receberam centenas de mensagens entre ontem e hoje e somente durante o dia de ontem, o nosso site teve quase cinco mil acessos. Os telefonemas para a FENAJ, seus diretores e os Sindicatos também contabilizam centenas.
A 61ª edição do boletim eletrônico da FENAJ, que circula na segunda-feira (31/10), abordará os próximos passos da campanha. |
Escrito por Sindjor/mt às 16h41
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Jornalista é preso no Piauí
Redação Portal IMPRENSA
Na manhã da última quarta-feira (25/10), no Piauí, o jornalista Arimatéia Azevedo foi preso sob a suspeita de coação em curso, isto é, por tentar atrapalhar o encaminhamento de um processo. O jornalista estava na redação, quando foi autuado pelo Secretário de Segurança Pública do Estado, o delegado Robert Rios Magalhães. Arimatéia é conhecido no Estado por produzir matérias polêmicas sobre a corrupção e o crime organizado no Piauí. Autor de uma coluna diária no "Jornal O Dia" e proprietário do "Portal AZ", ele já sofreu dois atentados em função de suas investigações.
Segundo informações publicadas no site "O Jornalista", Arimatéia possui antigas desavenças com o secretário Robert Rios, que na hora da prisão estava acompanhado de "dez policiais fortemente armados". O pedido de prisão do jornalista foi feito pela advogada Audrey Magalhães e autorizado pelo juiz da 6ª Vara Criminal, José Bonifácio Júnior.
Os advogados do jornalista, que está sob custódia da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, consideraram a sua prisão sem sentido: "Arimatéia não fez qualquer ato preparatório de fuga, não tentou em nenhum momento atrapalhar o bom andamento do processo, tanto que tem audiência de conciliação marcada para o dia 8 de novembro e nenhuma testemunha declarou haver sofrido qualquer ameaça ou coação por parte do jornalista", comentaram.
Repercussão O portal AZ, mantido por Arimatéia, informa que o Sindicato dos Jornalistas do Piauí, através de sua diretoria, divulgou uma nota em solidariedade ao jornalista que está preso no Quartel da Polícia Militar. "Arimatéia foi visitado pela presidente do Sindjor, Teresa Val, jornalista Luís Carlos e jornalista Luís Brandão, jornalista José Igreja e outros profissionais", informa o site.
Fonte: Revista Imprensa
Escrito por Sindjor/mt às 16h38
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Kajuru é condenado a indenizar Luciana Gimenez por danos morais
Redação Portal IMPRENSA
Na tarde de ontem, o jornalista Jorge Kajuru foi condenado a pagar indenização por danos morais - no valor de R$ 40 mil - à Luciana Gimenez, apresentadora da Rede TV! A decisão foi proferida pelo juiz Pedro Antônio de Oliveira Júnior, da 18º Vara Criminal de Justiça do Rio de Janeiro - RJ.
A apresentadora entrou com um processo contra Kajuru depois que o jornalista a chamou de "burra", durante o programa "Boa Noite Brasil", da Band, em abril de 2004.
Fonte: Revista Imprensa
Escrito por Sindjor/mt às 16h37
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Outubro Vermelho
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| Vitória dos jornalistas e da sociedade: diploma é mantido |
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Às 16h30 desta quarta-feira (26/10), centenas de manifestantes que participaram do Ato Nacional em defesa do diploma e acompanharam o julgamento do recurso da FENAJ e SJSP no TRF-3ª região eram só alegria. Por unanimidade, os juizes aprovaram o pedido das entidades dos jornalistas. O resultado consagra a luta que os profissionais, professores, estudantes e diversos segmentos da sociedade empreenderam. Após o julgamento, os manifestantes deram um abraço simbólico no prédio do TRF e fizeram uma passeata até a sede do Sindicato paulista, onde aconteceu Plenária da campanha em defesa da profissão.
Já a partir das 13 horas, os manifestantes começaram a ocupar a Avenida Paulista, em frente ao TRF. A sala de sessões onde se deu o julgamento – iniciado por volta das 14h30 - ficou superlotada. Na defesa do recurso, o advogado da FENAJ e SJSP, João Roberto Piza Fortes, empolgou a platéia ao sustentar a constitucionalidade da regulamentação dos jornalistas e especificidades da profissão.
Disposição de luta da categoria no “Outubro Vermelho” prevaleceu
A corrente positiva da manifestação estava respaldada por milhares de e-mails encaminhados dias antes aos juizes, mobilizações e vigílias nos estados. Na Avenida Paulista, os manifestantes coloriram o ato com camisetas padronizadas, cartazes, faixas, adesivos e jornais envoltos em fitas vermelhas.
O resultado consolidado do julgamento deu-se as 16h20, quando foram conhecidos os votos dos Juizes Manoel Álvares, Salete Nascimento e Alda Bastos. Além de aspectos legais, eles sustentaram suas posições no reconhecimento da responsabilidade social e ética dos jornalistas. Sucederam-se aplausos e a emoção espalhou-se pelo centro de São Paulo, entre sorrisos, lágrimas, “abraço” ao prédio do TRF e passeata até a sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Comemorando o resultado, o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, foi enfático: “esta vitória é da categoria, das entidades que se envolveram nesta luta e da sociedade, pois a formação universitária é fundamental para termos bons jornalistas e informações com qualidade”. Ele informou que os próximos passos desta luta seriam definidos na Plenária Nacional da Campanha em Defesa da Formação, Regulamentação Profissional e do Jornalismo, que se iniciou após o julgamento, Os resultados da plenária serão divulgados em novo boletim extraordinário que a FENAJ disponibilizará amanhã (27/10). |
Escrito por Sindjor/mt às 20h25
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ELIO GASPARI
O Brasil das cabeças desarrumadas
O resultado do referendo fez um bem ao país. Instaurou o império das cabeças desarrumadas, e o Brasil precisa delas. Uma pessoa de cabeça desarrumada é assim: defende a pena de morte e o ensino gratuito nas universidades públicas. É a favor do aborto e se diz católico. Votou Lula em 2002 e José Serra em 2004. É contra as cotas nas universidades e milita numa ONG de defesa da mata Atlântica. Por desarrumada, essa cabeça pode pensar tudo ao contrário e não faz a menor diferença. A desarrumação determina e incentiva o debate. Opõe-se a um mundo de idéias ordenadas no qual a pessoa deve se preocupar em "pensar direito" entendendo-se que sempre haverá alguém explicando o que vem a ser "pensar direito". Houve uma época em que a expressão "raciocinar em bloco" designava, com alguma ironia, inteligências ou culturas privilegiadas, sacerdotes do bem pensar. Aceitando-se as virtudes do mestre, esperava-se sua opinião e ia-se atrás. Essa atitude tanto pode colocar uma pessoa na condição de discípulo de um grande pensador como pode embalá-la na treva da ignorância. O segundo caso ocorre com mais freqüência. As cabeças arrumadas brasileiras, atraídas pela construção de modelos intelectuais harmônicos, dão pouca atenção ao funcionamento da sociedade. Preferem evitar o assunto. Alguns exemplos: O bem pensar urbano do Rio de Janeiro legislou que é proibido construir apartamentos com menos de 30 metros quadrados. Coisa de gente muito bem educada. Faltou dizer onde vai morar uma família que não tem dinheiro para essa metragem. Na favela, por certo. A discussão dessa lei de incentivo à favelização está fora do debate urbano carioca. O bem pensar tributário estabeleceu que os serviços de telefonia devem ser taxados com mão-de-ferro, pois vai-se tomar dinheiro do andar de cima para custear investimentos que atenderão ao de baixo. Deu no seguinte: o patrão fala com Paris de graça pelo Skype e a empregada paga R$ 5 por um telefonema de dez minutos para Bangu. Um imposto destinado a buscar justiça produz injustiça, mas o tema está fora da agenda dos teletecas. O bem pensar diplomático levou Lula a propor uma cruzada mundial contra a fome. Fez isso em Genebra, Paris e Nova York. Passados dois anos, contou que gostaria de arrumar recursos para combater a desnutrição d'África aumentando as taxas de embarque nos aeroportos brasileiros. Falta dizer aos usuários do Galeão que eles pagam uma das taxas mais altas do mundo, o dobro do que se cobra no aeroporto Kennedy. Num caso mais farisaico, tome-se o exemplo da legislação penal brasileira. Bem pensada, faz inveja a um advogado sueco. São muitos os doutores que fazem palestras pelo mundo descrevendo essa jóia de modernidade. Jamais um ministro da Justiça vai contar que as maravilhas são parolas. O que vale mesmo é a lei da massa. O bandido que entra na prisão passa a uma nova instância judicial, a de seus pares. Maltratou a mãe? Morre. Estupro? Se não morrer, sofre o que fez. Respeito, só para os estelionatários." No Brasil das cabeças desarrumadas, cada tema poderá ser discutido e avaliado isoladamente. Muitas opiniões resultarão contraditórias, mas é esse exercício do juízo individual que enriquece o debate público. Harmonia e nexo podem ser desejáveis, mas é preferível conviver com pessoas de cabeça desarrumada cujas opiniões não formam um nexo final do que aturar gente que tem muito nexo mas não se responsabiliza pelas opiniões que dá.
Fonte: Folha de São Paulo
Escrito por Sindjor/mt às 20h13
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Combate à Pejotização
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| Justiça do Trabalho do DF reconhece vínculo empregatício de jornalista |
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No dia 14 de outubro, mais uma importante vitória na luta contra a "pejotização" foi conquistada em Brasília. O Juiz Jonathan Quintão Jacob, da 17ª Vara do Trabalho, deu ganho de causa ao jornalista José Quintiliano da Fonseca Filho contra as empresas "Editora JB S/A" e "JB Comercial S/A". O Juiz descaracterizou o contrato "PJ", reconhecendo que o profissional tinha vínculo de empregado e determinou o pagamento de todas as verbas trabalhistas devidas.
Quintiliano era responsável pela coluna "Informes JB". Sua defesa foi promovida por Claudismar Zupiroli, assessor jurídico do Sindicato dos Jornalistas de Brasília e da FENAJ. "Trata-se de mais um precedente no combate à pejotização", sustenta Zupiroli. Ele resgata que a primeira decisão judicial importante dentre os jornalistas representados pelo Sindicato de Brasília foi a de Patrícia Storni contra o SBT e a empresa do jornalista Álvaro Pereira. "Naquele caso, além de reconhecer o vínculo, a sentença determinou a reintegração, uma vez que a jornalista foi demitida grávida", destaca.
Fonte: Fenaj |
Escrito por Sindjor/mt às 20h07
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Profissão Perigo
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| Brasil cai no ranking de liberdade de imprensa |
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Os ataques à liberdade de imprensa no Brasil continuam como destaque negativo internacional. Em balanço da situação no ano de 2004, divulgado dia 20 de outubro, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), com sede em Paris, informa que o Brasil "perdeu" três posições quanto à liberdade de imprensa, figurando em 66º lugar entre 167 países pesquisados. A entidade concluiu que "a imprensa continua exposta a violentas represálias" no Brasil.
O levantamento aponta que o exercício profissional de informar no Brasil é ainda mais perigoso fora dos grandes centros urbanos. Dois exemplos são citados: a morte de dois jornalistas, sendo um em Coronel Sapucaia (MS) e outro em Timbaúba (PE). Além disso, segundo a entidade, "fora das grandes cidades, informar continua sendo um ofício perigoso". Como exemplo, em seu informe anual, a RSF menciona a morte de dois jornalistas em 2004, uma em Mato Grosso do Sul e outra em Pernambuco. Houve, também, menção ao caso do jornalista Larry Rother, do "The New York Times", que sofreu ameaça de cassação de sua licença no Brasil por publicar uma reportagem sobre o consumo de bebida alcoólica pelo presidente Lula.
Coréia do Norte, Eritréia e Turcomenistão são os últimos colocados entre os países analisados desde setembro de 2004 pela RSF.
Agressões confirmam retrocesso As constantes denúncias de repressão, intimidação e agressões físicas aos profissionais de imprensa no Brasil, confirmam as conclusões da RSF. No dia 16 de outubro, o jornalista Valmir Miranda, de Rondônia, foi agredido e ameaçado de morte por um sargento da Polícia Militar do Estado. O Sindicato dos Jornalistas de Rondônia manifestou repúdio e exigiu providências das autoridades estaduais para a punição do agressor, bem como garantias à integridade física do colega. Já no dia 20 de outubro, em São Paulo, a jornalista Bia Barbosa, da Agência Carta maior, recebeu "voz de prisão" do gerente regional de Fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Bia acompanhava uma manifestação que integrava a programação da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação (de 17 a 23 de outubro), apoiada pela FENAJ e SJSP, em frente ao prédio da ANATEL. No ato, os manifestantes protestavam contra as ações autoritárias da ANATEL no fechamento de rários comunitárias em todo o país. A "voz de prisão" só não se consumou porque uma advogada que acompanhava os manifestantes e um delegado da Polícia Federal alertaram o gerente da ANATEL de que sua atitude era irregular e constituía um atentado à liberdade de imprensa.
Fonte: Fenaj |
Escrito por Sindjor/mt às 20h05
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Premiação
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Miriam Leitão recebe o Cabot em Nova York
Angela Pimenta, de Nova York (*)
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De acordo com o jargão jornalístico americano, não existe nada menos sexy do que a cobertura de economia. Pois foi graças a mais de trinta anos de jornalismo econômico – destrinchando o sobe e desce da inflação, da taxa de juros e os embates do país com o FMI – que a brasileira Miriam Leitão, das Organizações Globo, recebeu na noite de quinta-feira, dia 20, o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia.
A 67 edição do Cabot, a mais abrangente e prestigiada premiação jornalística das Américas, seguiu a tradição com um jantar de gala sob a cúpula greco-romana da Low Library, na praça central do campus da universidade.
“Miriam Leitão é uma verdadeira jornalista multimídia, cuja reportagem tem sido um exemplo notável do jornalismo explicativo”, disse Lee Bollinger, presidente da Columbia, ao entregar o prêmio.
Em seu discurso de agradecimento, Miriam disse: “Hoje é o dia mais importante de toda a minha vida profissional. De agora em diante devo trabalhar ainda mais duro para reforçar os compromissos jornalísticos que me trouxeram até aqui.”
Critérios Ao contrário do prêmio Pulitzer, também administrado pela Columbia e que cobre obras de ficção e coberturas jornalísticas específicas produzidas em língua inglesa nos Estados Unidos, o Cabot premia a carreira integral do ganhador.
Dois critérios principais norteiam a escolha dos premiados: comprovado compromisso com a liberdade de imprensa e a busca daquilo que a Columbia chama de “compreensão inter-americana.” Trocando em miúdos, ao longo de sua carreira, o ganhador deve ter revelado e analisado aspectos até então desconhecidos da América Latina e Caribe e sua possível relação com os Estados Unidos e Canadá.
No caso de Miriam Leitão, saltou aos olhos da comissão julgadora o seu trabalho investigativo sobre as mazelas sociais brasileiras, como a recente série que fez para a TV Globo sobre a pobreza no país, retratando a penúria de gente de carne e osso que vive escondida atrás de estatísticas.
Além disso, em suas colunas, Miriam esclarece para o grande público aquilo que é fundamentalmente importante – como atas do Copom e o risco-Brasil – mas que carece do apelo fornecido, digamos, pelo finado casamento de um Ronaldo e uma Cicarelli.
Basta dar uma olhada em “O Globo” para conferir que diariamente ela cumpre a mais básica cartilha jornalística: apuração exaustiva, ouvindo todos os lados da história e atribuindo a informação publicada à devida fonte, ou admitindo quando certo dado foi obtido em off. Tudo num estilo franco mas sem personalismo.
É um jornalismo sem mágicas. Ele permite que o leitor, ouvinte ou telespectador refaça o percurso cumprido da apuração à edição, aceitando ou rejeitando as conclusões da colunista.
Aliás, sob crescente escrutínio do público, as melhores redações americanas se esforçam cada vez mais para seguir tal receita.
Fonte: Comunique-se |
Escrito por Sindjor/mt às 19h59
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Congresso
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Mídia: crítica ou conivente com Governo Lula?
Sergio Correa Vaz (*)
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Pesos pesados do jornalismo brasileiro se dividiram na hora de avaliar o desempenho da imprensa frente aos acontecimentos políticos recentes do país. A crise do mensalão foi o gancho para o debate de abertura do 5º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, que aconteceu até esta sexta (21/10), na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Elogios O jornalista Ricardo Noblat,-responsável pelo blog de cobertura política mais conhecido do país, e que recebe em média 1,2 milhão de visitas por mês, fez elogios rasgados à cobertura da imprensa brasileira ao governo Lula, relativa à crise do Mensalão gerada pelas denúncias do deputado federal cassado Roberto Jefferson.
Participaram do primeiro dia do Congresso cerca de 200 profissionais das áreas de Assessoria de Imprensa de governo, Comunicação Corporativa, Recursos Humanos e Propaganda e Marketing.
No geral, afirma Noblat, a imprensa está "se saindo muito bem". O jornalista compara o ano de 2005 com 1992, quando explodiu o Collorgate. Segundo ele, há mais diferenças entre as duas coberturas do que pontos de contato. "Na época havia uma pergunta, um foco claro: Collor se beneficiou do esquema do seu tesoureiro PC Farias? Na atual crise, há várias perguntas e várias linhas de investigação", diz.
De Fiat a Land Rover Noblat cita três episódios emblemáticos: a famosa entrevista de Pedro Collor à revista Veja, a matéria de capa da revista IstoÉ com o depoimento do motorista Eriberto e a reportagem de O Globo comprovando o vínculo de Collor com o Fiat Elba. "Bem, mais barato que um Land Rover", repara, em referência ao carro que Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, ganhou de "presente" de uma empresa vencedora de uma licitação no governo federal.
Fora esses três grandes momentos, avalia Noblat, a imprensa "come na mão" dos parlamentares das atuais CPIs instaladas no Congresso - dos Correios, dos Bingos e do Mensalão. Em 2005, "não fosse a imprensa, não teríamos essa crise", afirma Noblat.
Lula tenta minimizar a crise e desqualificar os críticos e a imprensa. Mas Artur Virgílio, líder do PSDB no Senado, lembra, passou 20 minutos só lendo os nomes dos atingidos pelos escândalos da atual administração. A imprensa pautou as CPIs do Congresso, credita Noblat. Tem fim?
Além do mais, ninguém pode dizer quando a crise vai acabar e de que jeito. A administração Lula teria cometido ao menos os crimes de remessa ilegal de moeda, desvio, sonegação fiscal, crime eleitoral e, por último, corrupção. "Não fosse a imprensa cobrindo com afinco e qualidade, a crise não teria chegado a esse ponto", conclui Noblat, seu balanço da cobertura da imprensa em 2005, sobre o governo Lula.
Ressalvas Já Marcelo Beraba, ombudsman da Folha de S. Paulo e ex-secretário de redação do jornal, é mais crítico na cobertura da imprensa. "A crise não está perto do fim e é difícil ter uma visão mais conclusiva do papel da imprensa". Para ele, a cobertura do período Collor foi um marco, depois de décadas de jornalismo tutelado, com perseguição, censura e repressão do regime militar. A constituição de 1988 é um marco em uma democracia frágil.
Redundante e cansativa Beraba faz várias ressalvas à imprensa na atual cobertura, mas também elogios. Avalia que a cobertura é quantitativa, extensiva, mas sem qualidade. Para o leitor, redundante e cansativa, "não explicita e não hierarquiza crimes envolvidos", diz.
Crise da mídia Beraba aponta que a crise do governo Lula pega a imprensa numa crise própria. Os meios de comunicação no Brasil estão ainda imersos numa grave crise financeira, que teve o seu ponto mais alto em 1999 e 2000. Há ainda uma queda na circulação dos jornais. Isto implicou em demissões, cortes de recursos para reportagens e na fragilização das redações. A crise do mensalão está, portanto, justaposta a uma crise na imprensa que pode ser até conjuntural.
"Mas há outra crise", indica Beraba. "Temos uma imprensa altamente concentrada em audiência e publicidade", afirma. E indica que há um peso desproporcional dos veículos maiores. "É falsa a idéia de que há uma imprensa única. Há várias imprensas no país. Com vários níveis diferentes de autonomia e independência. É difícil pensá-la como um bloco único. Grandes jornais têm peso desproporcional no jornalismo regional com interesses locais próprios. São muitas as contradições quando começamos a pôr uma lupa nesta imprensa".
Beraba considera, no entanto, um passo à frente na imprensa brasileira a conduta que está se implantado de ouvir sempre o outro lado - pioneirismo que credita à Folha de S. Paulo.
Conivência Para o jornalista do Observatório da Imprensa Mauro Malin, historiador e pesquisador do Labjor da Unicamp, houve muita complacência da imprensa brasileira com a administração de Lula. Sua avaliação é que as revelações só vieram à tona por conta de conflitos de interesses nos grupos do poder. "A imprensa ficou a reboque dos acontecimentos", acredita.
E relembra as várias reportagens antes das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson como demonstração desse acomodamento. Em 2002, reportagem de Bob Fernandes, na Carta Capital, fez a primeira grande denúncia do esquema que garantiu o acordo do PL-PT para as eleições para a chapa José Alencar e Lula. O ovo da serpente.
Em setembro de 2004, Veja publica matéria de capa "O escândalo da compra do PTB pelo PT. Saiu por 10 milhões de reais". No mesmo mês, o Jornal do Brasil publica "Miro denuncia propina no Congresso", artigo de Miro Teixeira, ex-Ministro das Comunicações, que teria encaminhado denúncia ao Ministério Público Federal sobre o mensalão. Ainda em setembro, outra matéria do JB denúncias na qual Roberto Freire, o Presidente Nacional do PPS, revela: "Este assunto circula há meses no Congresso sem que ninguém tenha a coragem de abordá-lo".
Para Malin, não há grupo editorial ou veículo de comunicação no Brasil com grande independência e autonomia. Falta ainda, afirma ele, um veículo ou grupo de jornalistas que realizem esse papel crítico com autonomia e independência.
Fonte: Comunique-se |
Escrito por Sindjor/mt às 19h53
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